A Tarde on line: Rodoviários fecham Lapa e protestam com operação padrão

Protesto esvazia estação da Lapa e congestiona trânsito
Os trabalhadores do sistema rodoviário de Salvador protestam na manhã desta quinta-feira (15) a partir da região da Estação da Lapa, por onde circulam boa parte dos coletivos de Salvador e da Região Metropolitana (RMS).
Por volta das 8h40, os motoristas fecharam o acesso ao terminal e seguem realizando uma “operação padrão”, com os veículos trafegando apenas pela faixa da direita. Eles protestam contra a falta de infraestrutura das estações, o excesso de multas e a qualidade do tratamento dispensado à categoria pelos agentes de trânsito.
Por conta do protesto, a Transalvador informa que o tráfego segue congestionado nas principais vias da cidade, como ACM, Bonocô, Lucaia, Rótula do Abacaxi, Vale de Nazaré, Dique do Tororó e nas imediações da Lapa e do Iguatemi.
Pela direita – De acordo com o tesoureiro do Sindicato dos Rodoviários, Hélio Ferreira, o protesto segue. “Vamos fazer uma manifestação com todos os ônibus andando pela direita”, explica.
O presidente do sindicato dos rodoviários, Manoel Machado, explica que, com a pressão das empresas para que os motoristas cumpram a carta horária, é impossível para os condutores seguir exatamente o que determina a lei. “Na operação padrão vamos parar em todos os pontos, esperar idosos, gestantes e deficientes se sentarem e expor como não é possível cumprir os horários dessa forma”, detalha.
Manoel Machado relata que as empresas repassam para os motoristas as multas resultantes dos atrasos nos horários determinados. “Tentamos seguir a lei, mas a pressão das empresas torna isso impossível”, reclamou.
Durante o protesto, os ônibus não estão entrando na Estação. Os passageiros precisam se dirigir à parte externa do terminal para utilizar os ônibus metropolitanos. O motorista Jorge Luiz Gonçalves, que anda de muletas e tem dificuldades para subir as escadarias do terminal, foi surpreendido pela manifestação.
Para Gonçalves, a situação é um transtorno, porque ele terá que aguardar o final do protesto para conseguir pegar o coletivo. Mesmo assim, aprova a reivindicação dos rodoviários. “Os problemas existem. Aqui na Lapa não tem sanitário, as escadas estão sempre quebradas. O problema é que a população não foi avisada”, afirmou.
Outro usuário do sistema rodoviário, o vendedor Adilson Silva, também foi surpreendido, mas concorda com a manifestação. “É um incômodo, mas acho justas as reivindicações deles”, defende. Mesmo com os transtornos, Hélio Ferreira explica que outros protestos serão realizados até que sejam tomadas providências para s problemas apontados pela categoria. A categoria informa que outras mobilizações já serão realizadas amanhã, até que a Transalvador tome medidas.
No entanto, nem todos aprovaram a mobilização dos rodoviários. A cozinheira Renilda Oliveira, de 42 anos, explicou que saiu de casa, em São Caetano, às 5h40 para tentar chegar na Lapa às 7h. Por conta do protesto, só chegou às 10h e precisou andar do Dique até a Estação. “O patrão não quer saber porque a gente chega atrasado”, reclamou. Renilda enfrentou problemas também com o atraso na saída dos ônibus das empresas Praia Grande e Axé, na manhã de hoje.
O garçom Renê Oliveira, de 28 anos, perdeu uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho, agendada para as 8h. O rapaz explicou que mora na região da Bonocô e que saiu de casa às 7h para conseguir chegar na Lapa. Mas o trajeto, normalmente feito em 20 minutos, durou mais de duas horas. “Deveria ter um aviso para a sociedade poder se organizar. Eles têm o direito de protestar, mas eu também tenho o meu direito de ir e vir”, disse.
Multas – O motorista Pedro Celestino, funcionário da empresa São Cristóvão, afirmou que foi multado em R$ 800 há dois meses por conta de excesso de velocidade. No entanto, segundo ele, o tacógrafo do veículo mostrou que não houve infração. Ele contestou, mas ainda não houve nenhum posicionamento. O motorista explica que as multas são cobradas dos funcionários e que, em apenas algumas situações, a empresa se solidariza e divide o valor. “O que a gente não quer são multas fantasmas, tirar o pão da boca do meu filho para botar no cofre da prefeitura”, declara.
O assessor de Relações Sindicais do Sindicato das Empresas de Transporte Geral de Salvador (Setps), Jorge Castro, contestou as razões do protesto elencadas pelos rodoviários e disse que “a discussão não é verdadeira”. “Se eles estão fazendo isso por conta da carta horária, porque não enviaram uma pauta para discutir o assunto? Se havia um problema com as multas, era para sentar e discutir, e não prejudicar a população”, argumenta.
Castro explicou que os motoristas arcam com as multas porque as empresas não podem ser responsabilizadas pelas infrações cometidas pelos condutores. “Os ônibus não cometem infração, quem comete infração é o condutor”, disse. O assessor negou que as empresas pressionem os motoristas para cumprir os horários. “Como é que vamos pressionar motoristas para desrespeitarem o sinal e não pararem nos pontos por conta dos horários?”, questionou.
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