Tribuna da Bahia: Cresce o uso do helicóptero em Salvador

Fugir dos congestionamentos e riscos do trânsito, economizar tempo ou simplesmente conhecer a cidade de um ângulo diferente. Por estas e outras razões é cada vez maior a movimentação de helicópteros no céu de Salvador.

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) contabilizou entre janeiro e junho deste ano um total de 3.250 pousos e decolagens deste tipo de aeronave na capital baiana. O número representa aumento de 35% em relação ao mesmo período do ano passado quando foram registradas 2.109 operações.
Em relação ao número de passageiros, este ano foram 6.062 usuários contra 2.779 do ano passado. O Carnaval ajudou a aquecer ainda mais a procura pelo serviço no mês de março que apresentou a maior movimentação do primeiro semestre de 2011, com 727 operações e 1.388 passageiros transportados.

Apesar da grande movimentação do trafego aéreo, apenas duas empresas de táxi aéreo possuem helicópteros em Salvador. O empresário Cláudio Soares, dono da Henrimar Helicópteros, explica que além de ser um veículo caro, a procura pelo serviço ainda é algo recente na Bahia. A despesa mensal de um helicóptero fica em torno de R$ 30 mil. Isto sem contar o valor do “brinquedinho”. Existem diversos modelos, potências e tamanhos e os preços variam entre US$ 250 mil e US$ 3 milhões.
Nascido no Rio de Janeiro, onde montou a sua primeira empresa de táxi aéreo, Soares começou a investir no mercado baiano em 1997 e acabou transferindo, em definitivo, a firma para Salvador em 2005. “O mercado de helicópteros está crescendo em todo o Nordeste, mas, ainda falta infraestrutura”, ressalta se referindo a carência de helipontos e hangares para pousar e guardar as aeronaves. Apesar das dificuldades operacionais o negócio não para de crescer e em razão da maior demanda, o empresário está construindo um helicentro (espaço com toda infraestrutura necessária para helicópteros) com capacidade para hangarar 20 helicópteros ao mesmo tempo.

“Será o primeiro equipamento desta natureza na Bahia”, diz, entusiasmado, salientando que a obra deve ficar pronta no final deste ano. Empresas no ramo do petróleo e construção civil estão entre seus clientes, porém, há ainda uma grande procura por parte dos veículos de comunicação para realização de fotografias e filmagens além dos turistas que utilizam o serviço de translado. “Sauipe, Praia do Forte, Morro de São Paulo e Itacaré estão entre os destinos mais procurados pelos turistas”, conta.

Vôo de 7 minutos por R$ 250 – Conhecer a capital da Bahia do alto pode custar R$ 250. Mas, é bom não se empolgar, o voo panorâmico dura ligeiros sete minutos. “A gente faz um pequeno passeio pela cidade, sobrevoa alguns pontos turísticos. Dá para curtir”, garante. Para quem pretende fretar o helicóptero, a hora voada pode variar entre R$ 1,7 mil e R$ 3,90 mil, a depender do tipo da aeronave, mas, segundo o empresário, o turismo ainda é pouco explorado. “A falta de heliportos nos hotéis dificulta ainda mais a promoção deste tipo de serviço”, lembra.

A empresa de Marcos Rezende, dono da Maravilha Táxi Aéreo – a segunda a ser aberta em Salvador – cresceu cerca de 20% em 2010 com pouco mais de um ano em atividade na capital baiana. “Estou planejando comprar mais um helicóptero e um avião, pensando na Copa de 2014″, almeja.

Além de empresário, Rezende é também piloto e conta que voa, em média, 30 horas por mês, duas horas por dia. “No verão e no Carnaval é a melhor época, a cidade está cheia de visitantes e a procura é ainda maior”, lembra.

A Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) registrou em 2010 crescimento de 100% no número de habilitações para pilotos comerciais de helicóptero e de 75% nas habilitações de piloto privado (o exigido pelas empresas para o trabalho remunerado) na comparação com 2009.
Hoje, são mais de 3.097 pilotos comerciais aptos para comandar os cerca de 1.518 helicópteros registrados no país – média de dois pilotos por unidade. O número é insuficiente se considerado que empresas aéreas empregam até 14 pilotos por aeronave.
Conforme a Organização Internacional de Aviação Civil (Icao), até 2030 serão necessários mais 517.413 novos comandantes. No Brasil, companhias têm contratado pilotos recém-formados, ex-integrantes da Força Aérea Brasileira (FAB) e até “repatriando” brasileiros que foram para o exterior trabalhar, promovendo-os para voltarem ao país.

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